O pacote de um trilhão de euros destinados a salvar os banqueiros e os bancos da Grécia e da Europa arruína ainda mais o povo grego, pois diminui salários, reduz aposentadoria aumentando a idade para aposentar, e crescem os juros no mercado interno. Os banqueiros nada perderão com a crise.
Entretanto o povo ficará mais pobre e protesta nas ruas de Atenas.
Isso acontece na Grécia e aconteceu nos Estados Unidos, onde os governos Bush e Obama destinaram milhões de dólares para salvar os bancos, as montadoras, seguradoras, as empresas imobiliárias e para as guerras do Iraque e do Afeganistão, mas não pensaram no povo. Nova Orleans é um exemplo; vítima do furacão Katrina, há cinco anos, continua arrasada, sem receber ajuda nenhuma do governo e metade da população já se retirou da cidade, habitada por maioria negra, capital da música americana.
O povo, que acreditou nos banqueiros, nos políticos e nos grandes empresários, perderá o que restava de sua poupança.
E começa a protestar. Sábado 40.000 pessoas desfilaram na Grécia. A China, país de sistema econômico diferente, adotou outra trajetória. Não injetou dinheiro nos bancos (os bancos chineses são estatais ou são completamente controlados pelo estado). Injetou todos os recursos disponíveis em grandes obras no interior da China, visando levantar o nível social e econômico de cerca de 700 milhões de habitantes que moram no interior e vivem basicamente da produção agrária, organizados em cooperativas ou pequenas propriedades. Na China, a terra é de propriedade do estado. Além desse programa de obras no interior, o governo chinês investiu em residências tanto nas grandes cidades quanto no interior. O resultado é que o PIB (Produto Interno Bruto) chinês, o ano passado, ficou entre 8 e 9% e este ano, nos três primeiros meses, superou os 10%, e a taxa é mínima.A China, hoje, é a alavanca do mundo. O governo luta para desacelerar o crescimento.
O Brasil seguiu caminho parecido: o governo brasileiro reduziu impostos sobre mercadorias como veículos, geladeiras, televisão; usou os bancos oficiais para financiar a população e aumentar o comércio interno; está realizando um grande programa de construção de residências populares e criou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O resultado é que o Brasil não sentiu os efeitos da crise e saiu dela primeiro que todos os países.
O PIB brasileiro que foi cerca de 2% no ano passado tem previsão de chegar a 7% este ano, segundo o Bradesco e o Itaú, o que está criando temores na área financeira do governo brasileiro, pois pode levar a uma taxa de inflação prejudicial.
A verdade é que o nosso sistema econômico e nossos modelos de sociedade e de democracia estão irremediavelmente falidos e, como diz Oscar Niemeyer, não há remendo que os recupere. O capitalismo produziu muita riqueza e realizou prodígios, mas, como sua essência é concentradora de rendas e de riqueza, está, agora, num beco sem saída e será substituído pelo Socialismo, que é distributivo de rendas. É a caminhada infinita da humanidade.
Waldir Braga é editor da Folha do Maranhão do Sul - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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